Hipocorístico é a palavra que traduz a intenção de afeição ou carinho, próprio para uso no trato familiar, pois designa carinhosamente a pessoa na intimidade. O termo hipocorístico é pouco conhecido entre nós, sendo bem mais divulgada a ideia de apelido, que tem significado bastante aproximado.
E de apelidos ninguém está a salvo. Dos mais carinhosos aos mais malignos, sempre somos alvo de alguma palavra que venha a nos caracterizar fisica ou psicologicamente, muitas vezes até se tornando autônomas e substituindo nosso próprio nome.
Geralmente formamos esses hipocorísticos através de alterações já convencionais como: o uso de sufixo diminutivo (Monica – Moniquinha), abreviação do prenome (Carolina – Carol), reduplicação de sílabas (Isabella – Bebella), ou ainda reduplicação ou abreviação somadas a um sufixo diminutivo (Luíza – Luluzinha / Gabriela – Gabizinha).
Na prática, porém, esse processo pode ser aplicado a substantivos comuns e indicar expressões infantis (papai, vovô) ou explicações. Assim, pessoas com dentes grandes são dentinho, os que têm muitas espinhas são chokito, os gordinhos são botijão ou barril, enquanto os magros são meio quilo ou lacraia, e assim por diante.
Há aqueles hipocorísticos que se projetaram na sociedade e que todos gostariam de ser, como Zico e Pelé,ou mais atualmente, Kaká, todos astros no futebol brasileiro, Lula, um vencedor político, ou Jô Soares, com grandiosa experiência cultural.
Também a literatura apresenta hipocorísticos, com a finalidade de suavizar a narrativa. Aqui encontramos Bentinho, de Machado de Assis, Lucíola, de José de Alencar, e Jeca, de Monteiro Lobato, referente ao caipira do interior do Brasil.
E nem mesmo os santos escapam de receber um hipocorístico. Santa Teresa de Lisieux, quando tratada carinhosamente no diminutivo, por exemplo, virou Santa Teresinha, uma forma mais intimista, criando um clima quase familiar. Quem nunca ouviu evocações a “meu Jesus Cristinho?”

