segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Uma Questão Hipocorística


Hipocorístico é a palavra que traduz a intenção de afeição ou carinho, próprio para uso no trato familiar, pois designa carinhosamente a pessoa na intimidade. O termo hipocorístico é pouco conhecido entre nós, sendo bem mais divulgada a ideia de apelido, que tem significado bastante aproximado.
E de apelidos ninguém está a salvo. Dos mais carinhosos aos mais malignos, sempre somos alvo de alguma palavra que venha a nos caracterizar fisica ou psicologicamente, muitas vezes até se tornando autônomas e substituindo nosso próprio nome.
Geralmente formamos esses hipocorísticos através de alterações já convencionais como: o uso de sufixo diminutivo (Monica – Moniquinha), abreviação do prenome (Carolina – Carol), reduplicação de sílabas (Isabella – Bebella), ou ainda reduplicação ou abreviação somadas a um sufixo diminutivo (Luíza – Luluzinha / Gabriela – Gabizinha).
Na prática, porém, esse processo pode ser aplicado a substantivos comuns e indicar expressões infantis (papai, vovô) ou explicações. Assim, pessoas com dentes grandes são dentinho, os que têm muitas espinhas são chokito, os gordinhos são botijão ou barril, enquanto os magros são meio quilo ou lacraia, e assim por diante.
Há aqueles hipocorísticos  que se projetaram na sociedade e que todos gostariam de ser, como Zico e Pelé,ou mais atualmente, Kaká, todos astros no futebol brasileiro, Lula, um vencedor político, ou Jô Soares, com grandiosa experiência cultural.
Também a literatura apresenta hipocorísticos, com a finalidade de suavizar a narrativa. Aqui encontramos Bentinho, de Machado de Assis, Lucíola, de José de Alencar, e Jeca, de Monteiro Lobato, referente ao caipira do interior do Brasil.
E nem mesmo os santos escapam de receber um hipocorístico. Santa Teresa de Lisieux, quando tratada carinhosamente no diminutivo, por exemplo, virou Santa Teresinha, uma forma mais intimista, criando um clima quase familiar. Quem nunca ouviu evocações a “meu Jesus Cristinho?”

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Poetisando a vida"

Oi pessoal,
Estou aproveitando este espaço em meu blog para divulgar e prestigiar um acontecimento muito importante e especial: o lançamento do livro "Poetisando a vida", de Dênis Rubra.
E o que isso tem a ver comigo? Hahahaha.
Bem, em primeiro lugar, o autor do livro, Dênis, é um amigo muito querido e eu pude acompanhar de perto  a escolha de cada detalhe, o preenchimento das páginas e todo o trabalho que ele teve para produzir o tão sonhado livro. Em segundo lugar, não menos importante, este lançamento serve para todos que estão ou não no meio das letras, pois para nós, alunos, ver um amigo alcançar esta conquista em tão pouco tempo de estrada, serve-nos de inspiração, empolgação e motivação para continuarmos estudando mais e mais. E para os que não são do meio, serve para acompanhar o que os talvez futuros professores de seus filhos estão produzindo enquanto universitários.
Fica, para vocês, uma das poesitas contidas no livro. Espero que gostem! =)
E para você, Dênis, desejo muito sucesso! E que este seja só o primeiro autógrafo seu que guardo em minha estante.

 

"Poetisando Insônias

Tô sem sono
Tô com sede
No abandono
Da minha rede.

Tô sozinho
Tô sem ar
No caminho
Que não sei chegar.

Já é noite
Já é fato
Que o tempo
Ah! O tempo...

Me deixou de lado".
(Dênis Rubra)

sábado, 24 de julho de 2010

Saudade.

“O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...”.


     Começo a falar com esta frase de Mário Quintana sobre um assunto presente na vida de qualquer ser humano: a saudade.
     Recentemente, uma pesquisa entre tradutores britânicos apontou a palavra "saudade" como a sétima palavra de mais difícil tradução. é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular. Descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.
     Pode-se sentir saudade de muita coisa: de alguém falecido, de alguém que amamos e está longe ou ausente, de um amigo querido, de alguém ou algo que não vemos há tempos, de alguém que não conversamos há muito tempo, de lugares, de comida, de situações, de um amor. "Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem". (Clarice Lispector)
     "Matar a saudade" pode designar o desaparecimento desse sentimento, mesmo que seja temporariamente. Isso é possível relembrando, vendo fotos ou vídeos antigos, conversando sobre o assunto ou reencontrando a pessoa que estava longe.
     Hoje senti saudade. Bons tempos e bons amigos que não vejo há um tempinho. Lembrei de várias coisas da minha infância e dos meus 12 ou 13 anos, quando era uma pirralha achando que era adolescente e quase adulta. Hahahaha. Muito bom recordar,né? Melhor ainda é recordar com esse gostinho bom da saudade. Se isso faz falta, é porque valeu a pena. =)

domingo, 13 de junho de 2010

Um sonho lindo

        Encontrávamo-nos. Ele estava lindo, como sempre, com sua tradicional blusa de botões, calça clara e muito satisfeito com seu tênis novo. Assistíamos a uma partida de futebol, paixão dos dois, comendo petiscos sobrados da noite anterior. Trocávamos presentes. Dentro da caixa um colar tão lindo que não resisti em pô-lo na hora.
        Fazíamos um passeio. Andávamos pelas ruas de mãos dadas, falando alto, rindo, parando no meio do caminho para abraços e carinhos, um beijo a cada sinal... Estávamos sem destino, indo para onde o vento nos levasse. A única coisa realmente importante era o fato de estarmos juntos.
        Olhava-o como hipnotizada até que seu sorriso e um "o que foi?" tomasse minha atenção de volta para o mundo real.
        Estava frio, aproximadamente 17 graus, e ainda assim tomávamos sorvete.
        Depois íamos para casa, púnhamos um filme e assistíamos abraçados esquentando-nos um com o corpo do outro. Um bom filme de comédia...ríamos, voltávamos cenas e ríamos de novo da mesma coisa.
        Dizia-me coisas bonitas e me fazia cafuné, um carinho tão gostoso que sequer conseguia mudar de posição. Carinhos e mais carinhos até que dormisse e...
        Eu tive um sonho lindo...
        Quando acordei, ele estava ao meu lado.

domingo, 16 de maio de 2010

II Rodada do Circuito Estadual Máster de Natação

Bem, o título já diz tudo, né? Neste final de semana participei de uma competição que nunca tinha nadado antes, o circuito de máster. Gostaria de registrar aqui coisas incríveis que presenciei nestes dois dias. A começar, estava lá não para me vangloriar, mas por faltar um mês para a minha competição mais importante do ano, e não ter nenhuma outra antes disso.

Então vamos aos fatos: o clima lá é completamente diferente. Não há espírito de rivalidade, todos se abraçam, conversam e torcem uns pelos outros, como se todos os participantes formassem uma só equipe.

Outra coisa legal, é que toca músicas o tempo todo. Músicas da época dos competidores, claro. E eles se divertem muuito ouvindo essas músicas. Dançam, fazem coreografias, é muito legal!

E por último, e mais importante, a competição em si. Eu, com meus vinte anos, nadei ao lado de mulheres de categoria “80+”, ou seja, de oitenta anos pra cima. Obviamente eu cheguei primeiro, rsrs, e quando cheguei, fiquei com vergonha de sair da água. Porque em 400 metros, eu tinha chegado, pelo menos, uns 200m na frente.

Para me redimir, saí da água e sentei na beira da piscina. Disse ao árbitro geral que só sairia dali quando todas terminassem de nadar. E depois de 10 ou 12 minutos, todas acabaram.

O que tiro dessa experiência é a força de vontade dessas pessoas, que trabalham e provavelmente tem uma semana corrida, e nos finais de semana, que supostamente poderiam descansar, estão lá competindo. Da categoria 80+, tiro como lição a vontade de viver. Ora, eles não são simplesmente vovôs e vovós dos vários netinhos que estavam torcendo na arquibancada, são verdadeiros atletas, são campeões! Até mais campeões que eu, por exemplo. Rsrs.

Saí do clube extremamente feliz e emocionada. Quando crescer, quero ser como eles, com essa força de vontade e disposição, que faltam a muitos jovens de hoje em dia!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

As abelhas

     Não que seja super-admiradora de abelhas, mas fui picada por uma. E enquanto sentia dor, por horas e horas, só pensava naquela maldita abelha que me deixou seu ferrão no pé. Daí surgiu a curiosidade: Como um animalzinho tão bonitinho, que suga o néctar da flor e produz o mel, e que tem uma organização certamente mais eficiente que a nossa, pode nos causar uma dor tão forte?
      Deve ser porque esses adoráveis insetos não são tão amáveis assim. Rsrs. Para começar, o que assustaria qualquer criancinha, as abelhas são monstros de cinco olhos. Resolvem seus problemas lutando até a morte. São interesseiras e más. Após a fecundação expulsam os zangões da colméia e os deixam morrer de frio ou fome. Embora alguns machos humanos devessem ter o mesmo fim trágico dos zangões, temos que concordar que é um ato cruel, afinal estamos falando dos papais das abelhinhas, que já nascem órfãs...¡Pobrecitas! ='(
      Não satifeitas, quando se sentem ameaçadas, utilizam o ferrão no animal que estiver por perto, morrendo em seguida.  E mesmo depois de mortas incomodam, já que o ferrão é unido a um sistema venenoso que faz com que a pele da vítima inche levemente na região (cerca de 2 cm ao redor), podendo ficar avermelhada, dolorida e coçando por até dois dias. Dois dias! Observem: Elas se matam para não serem mortas. E quem tiver o prazer de conseguir matá-las, ganha o prêmio de ficar até 48h com dor. Isso quando o ferrão é tirado na hora. Há casos que envolvem febres, hospitais e outras coisitchas mais...
      Muito fofinhas elas,né?? =ppp

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Loucura

      Há tempos percebi que estou louca, que sou diferente dos demais, mas o melhor de tudo é que há outros com os mesmos sintomas que eu. Quando decidi ser nadadora e dobrar meus primeiros treinos diários, meus amigos disseram que era algo fora do normal. Ao verem que deixava de ir a festas, me chamavam de louca, porque treinava nos finais de semana, que supostamente eram para descanso e ocasiões sociais.
      Quando se está na água fria, está chovendo e ventando, mas ainda faltam 10 repetições de 200 metros, certamente as “pessoas normais” diriam que nos falta um parafuso. Chamamos de dieta o ato de comer e não o de deixar de fazê-lo. Ao arrumar as malas, as primeiras coisas que pomos são o maiô, os óculos e a touca, e só depois o resto, que na verdade nunca é tão importante. Ao vermos uma transmissão de competição, por menor que seja, paramos como hipnotizados na frente da TV por algo que os outros não veriam por 30 minutos, mas que para nós significa a vida.
      Sou uma louca, pois encontrei neste esporte, dando voltas num buraco com água de 25 ou 50 metros, algo muito importante em minha vida. Uma louca que descobriu que o mais importante é participar. Porém, chegar atrás de minhas adversárias, dava-me outro motivo para seguir treinando mais duro. Sou uma louca que vê sua vida passar em menos de um segundo quando o juiz dá o comando "às suas marcas", e toda a adrenalina se libera neste momento. Sou uma louca porque gasto mais em trajes de banho que em qualquer outra coisa. Sou uma louca porque descobri que a natação não é só um esporte, é um estilo de vida. Minha vida reside numa piscina, meu coração nessa modalidade, meu espírito na água, corre cloro em minhas artérias.
      E você, está louco?